Qual é o meu estilo de vinculação? Os 4 estilos de vinculação no amor
Porque cresce a inquietação quando uma mensagem fica sem resposta, enquanto a pessoa com quem está precisa de sossego após um fim de semana muito íntimo? Muitas vezes, a explicação está nos estilos de vinculação, também chamados estilos de apego: padrões aprendidos cedo que se revelam sobretudo no amor. Aqui fica a saber quais são os quatro estilos, como reconhecê-los no dia a dia, como interagem e porque o seu não é uma sentença para a vida.
O que é um estilo de vinculação? A teoria em resumo
A teoria da vinculação remonta ao psiquiatra John Bowlby e à psicóloga Mary Ainsworth. Descreve como as crianças aprendem, com quem cuida delas, se podem contar com a proximidade: virá alguém quando eu precisar de consolo? Posso mostrar o que sinto? Dessas respostas nasce uma espécie de mapa interior das relações. Mais tarde, a ideia foi aplicada às relações amorosas entre adultos, porque é precisamente quando nos aproximamos de alguém que esse velho mapa costuma regressar.
O seu estilo de vinculação não é, por isso, um traço de carácter, mas uma estratégia aprendida para lidar com a proximidade e a distância. Hoje costuma ser descrito a partir de duas perguntas: quanto receia o abandono ou a falta de amor? E quanto se afasta quando as coisas ficam íntimas? A maioria das pessoas situa-se algures no meio, e não numa gaveta bem definida. A mesma pessoa pode também sentir-se tranquila numa relação e insegura noutra.
Os quatro estilos de vinculação: seguro, ansioso, evitante, desorganizado
As pessoas com vinculação segura conseguem desfrutar da proximidade sem se perderem nela e suportar a distância sem imaginar logo o pior. Costumam dizer diretamente do que precisam, e uma discussão não lhes parece o fim. Na vinculação ansiosa, pelo contrário, o alarme interior está afinado para a perda: o desejo de proximidade é grande, tal como o receio de não ser suficiente. Pequenos sinais, como uma resposta seca, tornam-se depressa uma ameaça, e o sossego dura pouco.
Quem tem uma vinculação evitante protege-se ao contrário: com independência. Prefere lidar com as emoções por conta própria e, quando tudo fica muito próximo, sente necessidade de espaço – não por frieza, mas porque a intimidade depressa se torna demasiada. Na vinculação desorganizada, também chamada ansiosa-evitante, os dois lados encontram-se: a proximidade é desejada e temida ao mesmo tempo. Pode parecer um vaivém constante entre agarrar-se e fugir, muitas vezes sem se perceber porquê.
Como reconhecer o seu estilo de vinculação no dia a dia
O estilo de vinculação nota-se menos nos dias bons do que em pequenos momentos de tensão. Pense numa mensagem que está há horas sem resposta: com um estilo seguro, provavelmente pensa que a outra pessoa está ocupada. Com um estilo mais ansioso, olha para o telemóvel vezes sem conta, relê mensagens antigas e procura sinais de que algo está mal. Com um estilo mais evitante, mal repara no silêncio, que até pode saber bem. Com um estilo desorganizado, podem acontecer as duas coisas: primeiro o pânico, depois a ideia de que é melhor não depender de ninguém.
As discussões e a proximidade também dizem muito. Quem tem um estilo ansioso quer muitas vezes resolver logo um conflito e mal suporta ir dormir sem fazer as pazes. Quem tem um estilo evitante precisa primeiro de distância e talvez diga «Falamos depois», para nunca mais voltar ao assunto. Depois de um fim de semana especialmente íntimo, uma das partes sente-se finalmente em casa e a outra, sufocada. Por isso, não olhe para situações isoladas, mas para o que se repete em relações diferentes.
Como os estilos de vinculação interagem na relação
Uma das combinações mais descritas é a de um estilo ansioso com um evitante. Perante a incerteza, a parte ansiosa procura mais proximidade: escreve, pergunta, quer conversar. A parte evitante sente exatamente isso como pressão e retira-se, o que alarma ainda mais a parte ansiosa. Nasce assim um ciclo de perseguição e afastamento em que cada parte reforça o comportamento da outra. Mesmo assim, esta combinação atrai muitas vezes, porque parece familiar: uma pessoa conhece bem o perseguir e a outra o esquivar-se.
Se uma das duas pessoas tiver uma vinculação segura, a relação pode acalmar visivelmente, porque essa pessoa nem se agarra nem foge. Duas pessoas ansiosas costumam entender-se bem, mas também podem alimentar as preocupações uma da outra, e duas pessoas evitantes vivem por vezes lado a lado em paz, sem se chegarem a encontrar de verdade. Nenhuma combinação está, portanto, perdida à partida. O que conta é reconhecer os próprios padrões e conseguir falar sobre eles, em vez de os repetir às cegas.
O estilo de vinculação pode mudar?
Sim. Os estilos de vinculação são considerados bastante estáveis, porque foram treinados durante muito tempo, mas não estão gravados na pedra. Relações fiáveis, boas amizades e uma reflexão consciente podem mudar pouco a pouco a sua imagem interior da proximidade. A investigação sobre vinculação tem até um nome para isso: segurança conquistada, em inglês «earned security». Descreve pessoas que partiram de experiências inseguras e, ao longo da vida, desenvolveram uma forma mais segura de viver a proximidade. Não acontece de um dia para o outro, mas acontece.
O que ajuda depende do seu padrão. Se tende a reagir com ansiedade, treine acalmar primeiro a sua inquietação e depois expressar uma necessidade de forma direta, em vez de insistir até receber resposta. Se tende a evitar, anuncie que precisa de espaço em vez de desaparecer e, de vez em quando, partilhe um sentimento numa única frase. Se se reconhece no vaivém, avance devagar e tenha paciência consigo. Um acompanhamento psicológico ou uma terapia podem ajudar, em qualquer padrão, a arrumar experiências antigas.
Perguntas frequentes
Como saber qual é o meu estilo de vinculação?
Pergunte-se como reage quando a proximidade se torna incerta: tem sobretudo medo do abandono ou sente vontade de se afastar? Pouco de ambos aponta para um estilo seguro, muito medo da perda para um ansioso, muito afastamento para um evitante e as duas coisas ao mesmo tempo para um desorganizado. Muitas pessoas reconhecem-se em várias descrições – e isso é normal.
Um teste pode dizer-me qual é o meu estilo de vinculação?
Questionários e autotestes podem dar pistas sobre onde se situa mais ou menos e ajudar a ver o seu comportamento com mais clareza. Não oferecem uma classificação fixa, porque o resultado depende também da fase da vida e da relação em que está. Veja-o como um ponto de partida para refletir, e não como um rótulo para sempre.
Que estilos de vinculação combinam entre si?
Em princípio, qualquer combinação pode funcionar. Uma pessoa com vinculação segura traz muitas vezes calma à relação, enquanto os estilos ansioso e evitante caem facilmente num ciclo de perseguição e afastamento. Mais importante do que o tipo certo é conhecer os próprios padrões, falar abertamente sobre eles e estar do mesmo lado nos momentos de tensão, em vez de entrar em confronto.
O seu estilo de vinculação explica porque vive a proximidade da forma como vive, mas não decide como as suas relações têm de correr. Se, ao ler, se reconheceu sobretudo no afastamento, o nosso teste anónimo de medo de compromisso pode ajudar a olhar mais de perto para esse padrão. Não lhe atribui um estilo de vinculação, mas mostra-lhe em poucos minutos até que ponto se afasta assim que a relação fica séria.
Fazer o teste de medo de compromisso